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Juízes capítulo 19, um texto importante


 


Juízes capítulo 19, um texto importante.

Este texto nos apresenta uma história muito similar à de Gênesis 19, porém aqui há algumas diferenças que nos ajudam a entender melhor ambos os textos. Este texto de Juízes capítulo 19 raramente é usado contra os homossexuais; há comentaristas que não fazem qualquer menção à homossexualidade ao falar sobre os acontecimentos deste capítulo.

Neste texto o Levita, sua concubina e seu servo iriam passar a noite na praça. Porém surge alguém que demonstra hospitalidade; o idoso efraimita os convida para pernoitarem em sua casa; eles aceitam e quando já estavam instalados, surge um grupo, da mesma maneira do episódio de Sodoma, desejando “ter relações” com o hóspede. A palavra é a mesma yahda e pode simplesmente significar que eles queriam saber quem ele era. Não é nada descabido considerarmos que naquele tempo tão inseguro seria muito comum desconfiar de alguém que chega à noite e se hospeda na casa de outro homem que também é estrangeiro. Como a construção gramatical é a mesma de Gênesis 19; se aqui estiver se tratando de homossexualidade, o texto de Sodoma também estará ou então não estará se tratando em ambos os textos. O verso 22 diz: Quando estavam entretidos, alguns vadios da cidade cercaram a casa. Esmurrando a porta, gritaram para o homem idoso, dono da casa: “traga para fora o homem que entrou em sua casa para que tenhamos relações com ele!””. Será que o que eles queriam era ter uma relação homossexual? É interessante notar que eles não pediram para que fosse trazido para fora o servo do levita, por que?

O dono da casa então sai e faz menção a eles da lei da hospitalidade: O dono da casa saiu e lhes disse: “Não sejam tão perversos, meus amigos. Já que este homem é meu hóspede, não cometam tal loucura””(23). No vs. 24 ele diz: “Vejam, aqui está minha filha virgem e a concubina do meu hóspede. Eu as trarei para vocês, e vocês poderão usa-las e fazer delas o que quiserem...” Se eles queriam praticar homossexualidade porque o homem idoso não ofereceu o servo (escravo) ao invés das virgens? No vs. 24 diz: Vejam, aqui está minha filha virgem e a concubina do meu hóspede. Eu as trarei para vocês, e vocês poderão usa-las e fazer com elas o que quiserem...” Não seria estranho imaginar que os homens queriam saber quem era aquele estranho e o que o idoso estava dizendo que preferia dar sua filha ou a concubina a deixar que aqueles homens saibam quem é o homem para não quebrarem a hospitalidade, pois eles poderiam agredi-lo por algum motivo ou até mesmo mata-lo.

A Bíblia de Estudo Almeida diz sobre Juízes 19. 23, 24: “esta proposta é tão surpreendente como a de Ló em Gn. 19. 7,8. No antigo oriente, a honra de uma mulher era considerada menos valiosa que o sagrado dever da hospitalidade, que obrigava a defender a qualquer custo a vida e a dignidade do hóspede”.

Para vocês perceberem como algumas Bíblias se preocupam mais em passar idéias pré-concebidas do que com a tradução correta do texto, vejam como a Bíblia Viva traduziu a frase dos homens em Gn. 19.5 e a dos homens em Jz. 19, que tem a mesma construção gramatical, isto é, são frases semelhantes:

Em Gênesis: “traga para fora os homens que estão aí! Queremos usa-los como mulher!

Em Juízes: “traga para fora o homem que está aí! Queremos abusar dele!”.

É triste ver acréscimos e deturpações deste nível; nestes textos não aparecem palavras como “mulher” ou “abusar” no original em hebraico.

Como os homens se recusaram ouvir ao velho efraimita, então o Levita temendo os homens, manda sua concubina para fora e eles “...a violentaram e abusaram dela a noite toda. Ao alvorecer a deixaram”(25). Isso não nos parece de maneira alguma com um comportamento homossexual; vi alguém fazer um comentário irônico sobre este texto dizendo que, se fosse um grupo de gays, no mínimo eles iriam querer trocar receitas com a concubina!

O desfecho da história é trágico, eles abusaram tanto dela que ela morreu à porta da casa. O Levita então, num ato de revolta um tanto difícil de entender devido aos costumes da época, cortou com uma faca o corpo da concubina em 12 partes e as enviou às 12 tribos de Israel. O capítulo 20 continua contando a reação das 12 tribos e o que foi feito. As tribos se ajuntaram num grupo de 400.000 soldados armados de espada, eles estavam dispostos a guerrear contra a cidade de Gibeá de Benjamim, onde havia ocorrido o caso. Quando o levita foi interrogado pelos israelitas sobre o acontecido, ele não fez qualquer menção à homossexualidade por parte dos Gibeonitas; ele conta que eles cercaram a casa porque queriam mata-lo, o texto diz: Então o Levita, marido da mulher assassinada disse: “eu e a minha concubina chegamos a Gibeá de Benjamim para passar a noite. Durante a noite os homens de Gibeá vieram para atacar-me e cercaram a casa com a intenção de matar-me. Então violentaram minha concubina, e ela morreu””. (Juízes 20.5,6, grifo meu).

Continuando a história, as tribos pedem à tribo de Benjamim que entreguem os moradores de Gibeá, porém eles não dão ouvidos e se reúnem para defender os Gibeonitas; imaginem só! Será que um grupo de gays sensibilizaria toda a tribo de Benjamim de forma que eles se juntassem num exército de 26.700 homens para defende-los? Lembrem que estes benjamitas obedeciam à lei de Moisés.

A guerra foi terrível. No primeiro dia o exército menor, o dos Benjamitas, matou 22.000 israelitas, no segundo dia os benjamitas derrubaram mais 18.000 soldados de Israel. Os Israelitas só venceram no terceiro dia porque armaram uma boa emboscada. Dos benjamitas só sobraram 600 homens que se refugiaram no deserto. Os Israelitas ainda mataram os animais dos benjamitas e queimaram suas cidades. No capítulo 21 os israelitas se compadecem dos benjamitas restantes, pois estavam destruindo uma das tribos, então decidem arrumar esposas para eles, já que haviam destruído as esposas quando destruíram as cidades.

Como se pode ver o texto de Juízes capítulo 19 não nos passa qualquer idéia de homossexualidade. A construção gramatical dos versículos em questão é idêntica à de Gênesis 19, porém este povo, se fosse o caso de homossexualidade, seria mais culpado que os de Sodoma, pois eram israelitas debaixo do sistema da lei, que proibia abertamente o comportamento gay. Sodoma foi condenada porque além da inospitalidade tinha muitos outros pecados como veremos mais adiante; se fosse o caso apenas da inospitalidade seria justo que Deus mandasse também fogo do céu para consumir os Gibeonitas inóspitos como fez com Sodoma, mas ele não fez assim.

O comentário da Bíblia Explicada sobre Juízes 19 e 20 é interessante: “Nesta detalhada narrativa de pecado, cheia de brutalidades e vinganças, podemos notar alguns pontos de interesse. Pelo visto, Jerusalém fora duas vezes retomada das mãos dos israelitas , e agora é mais uma vez uma “cidade dos Jebuseus”(19.11), tendo tanto os de Judá como os benjamitas perdido seu poder sobre ela. Não querendo alojar-se ali, o Levita segue para uma cidade israelita chamada Gibeá, onde encontra mais perversidade e perigo do que em Jerusalém. Ali sacrifica a concubina para salvar a própria vida, e em seguida planeja uma vingança contra os iníquos benjamitas. Todo o Israel se reúne para castigar o mal, e, coisa estranha, nos dois primeiros dias da batalha, sofre pesado castigo. Facilmente ficamos indignados ao ouvir de pecados alheios, e apressamo-nos a lançar a primeira pedra, mas, para esse solene dever, é preciso que nós mesmos estejamos “sem pecado””.1


Os escritos do historiador judeu Flávio Josefo, (37-103 d.C.) são a maior fonte de informação sobre os impérios da antiguidade, o povo judeu e o império romano. Em sua obra Antiguidades Judaicas, livro quinto, capítulo 2, seção 197, nos conta o relato de Juízes cap 19 conforme a tradição dos hebreus; são surpreendentes os detalhes que ele nos dá através da história secular, diz assim:


“...Por fim, um velho da tribo de Efraim, que se tinha estabelecido nessa cidade, voltando do campo, encontrou-os naquele lugar. Perguntou ao levita quem ele era e como esperara tão tarde para se recolher. Respondeu-lhe que era da tribo de Levi e que reconduzia sua mulher da casa de seus pais, para a terra de Efraim, onde tinha sua morada. Soube então que ele era de sua tribo e o levou para sua casa. Alguns moços da cidade, que os haviam visto na praça e tinham admirado a beleza de sua mulher, vendo que ele se recolhera à casa desse velho, que não tinha força para defende-la, foram bater-lhe à porta e disseram que lha entregasse. Rogou-lhes ele que se retirassem e não lhe causassem tamanho desprazer; como eles insistiam, disse-lhes que era sua parenta, da tribo de Levi, como ele e que eles não poderiam, sem cometer enorme crime, calcar aos pés o temor das leis, para satisfazer à sua luxúria. Eles zombaram de suas palavras, ameaçaram mata-lo, se ainda se recusasse. Então esse homem, tão caridoso, querendo a todo custo salvar seus hóspedes de tão grande ultraje, ofereceu àqueles loucos sua própria filha, antes que violar o direito da hospitalidade. Nada porém os pôde contentar: Queriam insistentemente aquela mulher, e a levaram à força ficando com ela durante toda a noite; depois de ter satisfeito sua brutal paixão, restituíram-na ao amanhecer. Ela regressou semimorta de dor e de vergonha, pelo que lhe havia acontecido; sem ousar levantar os olhos para contemplar seu marido ultrajado em sua pessoa, caiu morta a seus pés.”

É claro que o texto de Josefo não é parte do cânone inspirado, mas seu texto mostra a maneira como os antigos judeus interpretavam esta passagem (antes do pensamento homofóbico de Philo) e reforça o que já foi dito. Será que os que condenam os homossexuais baseados no texto de Gênesis 19 fizeram estas considerações em relação ao texto de Juízes 19 antes?

 

1 A Bíblia Explicada / S. E. Mcnair, Rio de Janeiro: CPAD, 1983

 
   
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